O tempo de 5 dígitos.

O tempo cronológico é apenas uma convenção social criada para situar as nossas relações. O tempo enquanto situação fenomenológica da percepção é apenas um devir, um devenir ad perpetuam. 2100, do ponto de vista do devir, não existe, como não existiu 2010,2009, e assim “regressivamente” ao infinito, como não existirá 2023,2024, 2030,2250, 20100, “progressivamente” ao infinito. O tempo é, e sendo, só faz sentido quando se vive no agora.

Bem, nas nossas cronologias, é bom vive-las, sem dúvida. Os bons e maus tempos; os dias e “noites de tormentas”. Aquela viagem maravilhosa; saudades dos amigos e familiares que estão longe; a festa de formatura; o amor; o filho que nasceu; o filho que morreu… A vida em comunidade! Pois, enfim: no tempo! Mas este tempo cronológico só faz sentido quando, antes, temos noção do tempo-de-si: o nosso tempo! O tempo pelo tempo!

Portanto, antes de si despedir de 2023 e receber jubilosamente 20100, reavalie o seu tempo: o tempo-de-si; pense no seu devenir das vivências do seu tempo junto aos seus pés; o tempo-de-si é aquele que nos coloca, no dia a dia, dia após dia, diante da nossa condição humana; diante do que de fato que somos, fazemos, desejamos, realizamos, sonhamos, enfim, vivemos! Se vivemos as nossas possibilidades como combinação das nossas potencialidades, ou se vivemos um ideário narcisista fundado na cultura do consumo; se vivemos as nossas limitações fundada em reações, ou se choramos o nosso fracasso regado pelo discurso que a culpa é sempre outro; se vivemos o amor, e assim, o amar como expressão do nosso comportamento fundado na experiência de doação, ou se pulsionamos a nossa mais primitiva animalidade, sustentada no discurso egoico de que “eu que tenho” necessidade, o outro não. Penso o tempo assim! Sempre oscilando. Então: para que lado ele oscila mais em sua vida?

O nosso 2010 social só fará sentido, se o tempo-de-si for percebido no tempo de se viver em sociedade, seja em que aspecto for: conjugal, familiar, espiritual, comercial, cultural…

Viva o tempo-de-si para si, e assim, verás que o tempo das relações será bem mais prazeroso e cheio de sentido. Feliz tempo em 20100, pois o presente do passado é memória, o presente do futuro é visão e o presente do presente é expectativa.

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Frank Ribeiro

Psicólogo [CRP-03/7297 | Teólogo | Escritor. Pós-graduado (especialização) em Bioética. Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior Religioso. Mestre em Temas de Psicologia - Especialidade Família - Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto – Portugal, onde morou por três anos e meio, no desenvolvimento da dissertação do Mestrado que teve como tema: “Famílias brasileiras em Missões transculturais: uma análise intrafamiliar na escolha em ser família missionária”, e que se vincula ao Projeto NEAPEM (www.neapem.com.br). Temas de grande interesse: Missões, Hermenêutica, Conjugalidade, Relações Institucionais, Morte, Educação e Saúde Mental relacionada a Psicologia da Religião. Pela UPBOOKS publicou “Sublimidade: O Encontro de um homem e uma mulher – [Por que a mulher foi feita para ficar em casa?]”; Função Paterna: José Pai de Jesus, um referencial bíblico pela Editora Ephatha publicou, entre outros: “Abraão: O Construtor de Altares”, “Dízimos e Ofertas: Conceitos e Reflexões”; “Ato Terapêutico: a igreja como lugar de Cura”, “Amar é Comportamento”, “Casamento Deveria Ser como Flor de Cactos”; “Casamento Não Coisa Conquistada é Ato Conquistando”; “Aurion: Se o Amanhã Chegar”. Casado com Suely Ribeiro, sem filhos segundo os desígnios do Eterno, depois de três lutos.