O Discurso de Ódio Contra a Pessoa

Eu vivo em estado de alerta quanto a questão do suicídio e espiritualidade, ou seja, o Ato Suicida e a sua relação com a religiosidade e espiritualidade, especialmente no contexto evangélico. Como tenho trabalho na produção de algumas pesquisas em Suicidologia neste contexto (evangélico), muitas pessoas, sempre que ocorre um evento, já me notificam! Enfim!

Neste sentido, leio muito e também assisto muitos vídeos sobre o assunto! E devo dizer que tenho fica muito triste e não menos preocupado com comportamento de muitas pessoas, a maioria se apresentam como pastores, que comentam algum evento suicida, especialmente se foi de uma pessoa que tinha a função de pastor.

A minha preocupação é que há um “discurso de ódio contra a pessoa que se matou”. Isto mesmo! Neste discurso de ódio contra a pessoa que se matou, há em comum pelos menos duas coisas: primeiro, afirmar Peremptoriamente que o suicida já “queimando no fogo do inferno”; segundo, afirmam que pessoa que se matou se dizia evangélica, ela não era “evangélica coisa nenhuma, apenas viveu na igreja, mas não conheceu a verdade que liberta”.

Bem, não me cabe entrar no mérito da questão sobre a salvação, pois, “Ao Senhor pertence a salvação” (Jonas 2:9). Só Deus conhece o seu Zeptosegundo.

Devo dizer, então, que é horrenda a forma como alguns destes que comentam o ato suicida que envolve evangélico, e, como disse, especialmente pastores. Pergunto: o que nós podemos fazer quanto a salvação ou não salvação de alguém que se matou, sendo esta pessoa evangélica ou não? Não podemos fazer mais nada. Todavia de uma coisa estou certo: esta pessoa tem família…tem amigos…e por certo, tem alguém sofrendo. Então, em vez de ficar desferindo palavras de raiva, de ódio contra a pessoa que se matou, por que não procurar fazer alguma coisa para ajudar quem ficou? Para ajudar quem sofre com o desejo de se matar? Será que estas pessoas odiosas fazem alguma coisa para prevenir o ato suicida na igreja? Será que estas pessoas visita as pessoas que sofrem de depressão (ou eles acham é frescura de quem quer apenas chamar a atenção para si?).

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Frank Ribeiro

Psicólogo [CRP-03/7297 | Teólogo | Escritor. Pós-graduado (especialização) em Bioética. Pós-Graduação em Docência do Ensino Superior Religioso. Mestre em Temas de Psicologia - Especialidade Família - Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto – Portugal, onde morou por três anos e meio, no desenvolvimento da dissertação do Mestrado que teve como tema: “Famílias brasileiras em Missões transculturais: uma análise intrafamiliar na escolha em ser família missionária”, e que se vincula ao Projeto NEAPEM (www.neapem.com.br). Temas de grande interesse: Missões, Hermenêutica, Conjugalidade, Relações Institucionais, Morte, Educação e Saúde Mental relacionada a Psicologia da Religião. Pela UPBOOKS publicou “Sublimidade: O Encontro de um homem e uma mulher – [Por que a mulher foi feita para ficar em casa?]”; Função Paterna: José Pai de Jesus, um referencial bíblico pela Editora Ephatha publicou, entre outros: “Abraão: O Construtor de Altares”, “Dízimos e Ofertas: Conceitos e Reflexões”; “Ato Terapêutico: a igreja como lugar de Cura”, “Amar é Comportamento”, “Casamento Deveria Ser como Flor de Cactos”; “Casamento Não Coisa Conquistada é Ato Conquistando”; “Aurion: Se o Amanhã Chegar”. Casado com Suely Ribeiro, sem filhos segundo os desígnios do Eterno, depois de três lutos.