Ideação Suicida: O conceito.

Ideação Suicida: O conceito.

Sobre o conceito de ideação suicida não é preciso dizer muito: pensamentos que a pessoa tem de matar-se; mas, considerando o aspecto dinâmica da linguagem humana, existe uma grande variação de termos para referir-se ao mesmo desejo: Outros termos para ideação suicida incluem suicidalness[1]; compulsões suicidas, pensamentos suicidas, impulso suicida[2]; suicidalism[3] e tendências suicidas[4]. Além disto existem várias expressões idiomática para referir-se ao desejo de se matar[5], como por exemplo, “o chamada do vazio”[6]; o desejo de pular é chamado de “febre nas montanhas” no livro de Brian Biggs, Dear Julia[7]. Além das expressões idiomáticas, existem os eufemismos relacionados à ideação suicida, por exemplo: “luta interna”[8]; “morrer involuntário”[9], “comer a própria arma”[10].

Demais, sabemos que existe um universo de situações que fazem com alguém passe a ter estes pensamentos, e esta é a questão complexo. Por exemplo, embora muitas pessoas que desenvolvam uma idealização suicida nunca concretizam tal ideação; ao tempo que algumas prosseguem com a ideia e tentam tirar a própria vida.

O espectro da idealização suicida varia enormemente, indo desde o “flerte” até o planejamento detalhado, a encenação e o parassuicídio.

Os especialistas afirmar existir certos “padrões de pensamento perigoso”. Estes pensamentos, podem ocorrer sob duas perspectivas: ideação suicida passiva e ativa. A ideação suicida passiva ocorre quando você deseja estar morto ou que possa morrer, mas na verdade não tem planos de cometer suicídio. A ideação suicida ativa, por outro lado, não está apenas pensando nisso, mas tendo a intenção de cometer suicídio, inclusive planejando como fazê-lo.


[1]Roca-Cuberes, Carles. “Diagnosing as an Interactional Achievement in Psychiatric Interviews.” The Palgrave Handbook of Adult Mental Health. Palgrave Macmillan UK, 2016. 191-20

[2]Gliatto, MF; Rai, AK (1999). “Evaluation and Treatment of Patients with Suicidal Ideation”. American Family Physician. 59 (6): 1500–6.

[3]Glover, Mark. “The Heiligenstadt Testament: Beethoven’s Therapeutic Estate Planning Experience” (2012).

[4]Money, John. “Prefatory remarks on outcome of sex reassignment in 24 cases of transexualism.” Archives of sexual behavior 1.2 (1971): 163-165.

[5]Kidd, Sean A.; Carroll, Michelle R. (2007). “Coping and suicidality among homeless youth”. Journal of Adolescence. 30 (2): 283–296.

[6]Adam, David (2014). “How OCD creates prisoners of the mind”. New Scientist. 222 (2966): 36–39.

[7] Biggs, Brian (2000). Dear Julia. Marietta, Georgia: Top Shelf. pp. 40–42. ISBN 1-891830-12-0.

[8] Brown, Gregory K.; et al. (2005). “The internal struggle between the wish to die and the wish to live: a risk factor for suicide”. American Journal of Psychiatry. 162 (10): 1977–1979.

[9] Miller, Franklin G.; Meier, Diane E. (1998). “Voluntary death: a comparison of terminal dehydration and physician-assisted suicide”. Annals of Internal Medicine. 128 (7): 559–562.

[10] Baker, Thomas E (2009). “Dell P. Hackett and John M. Violanti, Police Suicide: Tactics for Prevention”. Journal of Police and Criminal Psychology. 24 (1): 66–67.

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